23 de maio de 2009

Eu

Eu só quero saber quem sobreviverá à morte do meu corpo físico.
O Engenheiro certamente não sobreviverá.
O Conquistador de Mulheres, com certeza não.
Tampouco o Capoeira. Ninguém joga capoeira morto.
Morto não conquista mulher alguma, morto não projeta nada.
À minha morte somente sobreviverá uma pessoa : Eu.
É com Ele que eu quero estar.
Mesmo que eu não possa Ser por causa da minha personalidade, quero ao menos estar com Eu. Contemplar Eu, conhecer Eu, falar com Eu, ouvir Eu. Ainda que eu não possa sê-Lo.
Morto não vai à praia, não joga bola, não dança, não conversa com os amigos, não fuma.
Será que não? Para um dia vir a Ser é necessário primeiro passar alguns momentos com Eu. Esse é o primeiro passo. Eu não é sempre apaixonante como podem supor os místicos.
Eu assusta. eu tenho medo de Eu. Mas é bom ser amigo Dele, veja bem,
porque o Filho da puta é imortal.

2 comentários:

  1. Então , vou comentar sua postagem em um outro tipo de comunicação , espero que sirva, para te entender e me entender e nos entendermos.


    Sou o o vale do abismo
    que se estende entre oque sou
    e dentro oque quero ser.
    Sou a vida gerada pela vontade da construção
    de uma ponte que atravesse-me
    Se sofro, são as farpas das madeiras que tento erguer entre cordas
    Se alegre, são os êxitos de se conseguir plataformas firmes.
    Para o Amor , sentir ao meu redor
    Para o Medo, esquercer-me do que sou
    E das estações, que realmente cada uma tenha a sua cor
    Que tudo na infinitude deste habismo, seja oque é
    Somente espaço vazio para a construção
    Da ponte e de suas cordas
    De mim e de minhas obras.

    Diogo Almeida

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  2. benvindo, mauro!

    concordo com você e indiscutivelmente, com o diogo.

    apenas complemento:

    temos muitos corpos, que vão dos mais grossos aos mais sutis.

    o nosso principal desafio na vida (TRABALHO) é desenvolver os centros.

    com o corpo físico, podemos construir ferramentas sutis, mesmo que inicialmente grosseiras.

    um corpo mais flexível, nos permite uma vida orgânica mais flexível.

    a flexibilidade tem diferentes faces.

    o otávio narrou um exercício profundo com o corpo, no qual me pareceu ser uma forma muito eficiente de entrar em contato com o próprio EU.

    penso que toda vez que tentarmos ouvir o VAZIO que há em nós, vai doer. doer mesmo.

    dói muito tentar não pensar, calar a mente. sabemos disso.

    o corpo nada mais é do que um gráfico, uma ferramenta importante.

    não utilizar esta ferramenta em prol da evolução do nosso ser, é o mesmo que ter sementes, terra e não plantar.

    mesmo que nosso corpo físico seja limitado à mecânica orgânica, sinto o quanto pode nos ser útil na BUSCA.

    morrer? sim.

    deixar de existir? só se nunca tivermos existido.

    regredir? impossível. o máximo que podemos neste sentido, é reduzir a velocidade da evolução.

    afinal, o tempo, rotação e translação, não param. ainda não.

    cada ser, tem sua forma de ser. de existir.

    obrigada por nos mostrar um pouco do que você pode ver, de melhor!

    forte abraço com cores de amanhecer.

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