Bhagavad Gita - Canto XVIII
19. O conhecimento, a obra e o agente são de três tipos, correspondentes a cada uma das três qualidades. Ouve qual é a sua natureza.
20. Aquele conhecimento, graças ao qual se percebe em todos os seres a mesma essência, única, imutável e imperecível, indivisível no seio do divisível, é de natureza sattvica.
21. Mas o conhecimento que vê apenas a multiplicidade das coisas em sua existência distinta é um conhecimento de natureza rajásica.
22. O conhecimento tamasico se aplica a um objeto particular como se fosse o todo; é um conhecimento mesquinho, desprovido de razão e alheio à realidade.
23. Uma ação obrigatória, executada com desapego, sem prazer nem repugnância e sem expectativa de recompensa, é chamada sattvica.
24. Mas aquela que é levada a cabo com grande esforço pelo homem ansioso pela satisfação de seus desejos, ou dominado pelo egotismo, é chamada uma ação rajasica.
25. Aquela que, originada do êrro, é empreendida sem que se considere suas conseqüências, o dano ou o prejuízo que possa acarretar a outros, e sem que se considere as próprias forças, é chamada uma ação tamásica.
26. O agente, livre de afecções e egoísmo, dotado de firmeza e energia, que não é afetado pelo êxito nem pelo fracasso, é um agente sattvico.
27. O agente apegado, que aspira aos frutos de suas obras, ambicioso, impuro e escravo da alegria e da tristeza, é um agente rajasico.
28. O que se mostra negligente, preguiçoso, torpe, teimoso, falso, malévolo, desanimado e moroso, é um agente tamasico.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Incrível realmente este trecho do Gita.
ResponderExcluirSe assemelha muito com os conceitos da sociedade atual , sendo que chamamos os primeiros de "boas pessoas", "tranquilos", "santo" , etc. (sattvica)
O segundo são os que o povo chamam de ambiciosos, "sem coração", o típico homem de negócios e empresários que visam somente o lucro.
O terceiro seria o típico "vagabundo" que não quer fazer nada , somente satisfazer seus desejos corporais. (tamasico)
Engraçado é perceber que apesar de anos e anos (pois o Guita data de 4.000 anos antes de cristo) a humanidade continua mantendo os mesmos costumes.
A força que prende a humanidade nesse eixo é enorme.
Agora, por qual finalidade?
Merece uma reflexão profunda esse texto. Creio que existe na verdade uma oscilação entre esses três tipos de natureza, pelomenos em mim.
"uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. Se a família é tão importante para a civilização do amor, isto se deve à especial proximidade e intensidade dos laços que nela se instauram entre as pessoas e as gerações. Apesar disso, ela continua vulnerável e pode facilmente sucumbir aos perigos que enfraquecem ou até destroem a sua união e estabilidade. Devido a tais perigos as famílias cessam de testemunhar a favor da civilização do amor e podem até mesmo tornar-se a sua negação, uma espécie de contra-testemunho. Uma família desfeita pode, por sua vez, reforçar uma específica forma de anti-civilização, destruindo o amor nos vários âmbitos em que se exprime, com inevitaveis repercussões sobre o conjunto da vida social."
ResponderExcluir"... Seguir em qualquer caso o "verdadeiro" impulso afetivo, em nome de um "amor" livre de condicionamentos, na realidade significa tornar o homem escravo daqueles instintos humanos que São Tomás chama de paixão da alma (passiones animae). O "amor livre" explora as fraquesas humanas, conferindo-lhes uma certa moldura de nobresa com a ajuda da sedução e com favorr da opinião pública. Procura-se assim "tranquilizar" a consciência, criando um "álibi moral". Mas não se tomam em consideração todas as consequencias que daí derivam, especialmente, quando além do cônjuge, devem pagá-los os filhos, privados do pai ou da mãe e condenados a serem, de fato, "órfãos de pais vivos".
ResponderExcluir